O dia havia acabado de começar, e com ele uma nova perspectiva. Yue havia acordado há pouco e já estava se arrumando para o seu primeiro dia como universitária – Iria finalmente começar o curso que tanto almejava na melhor universidade de Tókio.
Estava radiante, obviamente, agora dava um passo importante à sua independência. Havia finalmente saído da casa de seus pais, onde não se sentia mais a vontade, apesar de ser também sua casa. O que havia acontecido para que Yue chegasse a essa decisão era um assunto sobre o qual ela não gostava de pensar – Insuportavelmente Desagradável – Pensava Yue.
Já havia terminado de pentear os cabelos quando o telefone tocou, e ela alegremente atende.
- Yuki! Sim... Sim... (...) Te vejo lá então... Beijos.
A sensação de leveza era a mais agradável de todas as boas sensações existentes – pois era uma junção de todas elas. Yuki era o garoto que melhor conhecia Yue, cresceram juntos, e eram perdidamente apaixonados um pelo outro, eterno enamorados. Seu nome era uma homenagem à ocasião de seu nascimento, uma tarde de muita neve. O que tornava Yuki ainda mais charmoso do que a sua personalidade calma, era a tonalidade de seus cabelos prateados que deixava ainda mais pálida a sua pele branca.
Era exatamente nisso que Yue pensava quando ia pilotando sua Harley Davidson até a universidade. Não demorou muito ate achar uma vaga no estacionamento do campus e a encontrar a sala em que ia estudar.
Ao entrar na sala 504 do 5° piso, alguém chamou a atenção de Yue. Era um garoto loiro, magro, de profundos olhos azuis que a encarava desde que passou pela porta. Os olhares se encontraram e permaneceram fixos um no outro por alguns segundos que pareceu uma eternidade. Por fim o garoto sorriu, um sorriso simples que Yue não conseguiu decifrar. Sem chamar muita atenção, Yue sentou o mais longe possível do garoto, que alguns momentos depois, descobriu chamar-se Fay. Se não fosse pelo fato incomodo de Fay lhe dirigir alguns olhares, a primeira aula teria sido perfeita. Quando finalmente chegou a hora do intervalo, o que ela mais temia aconteceu. Ele se aproximou, com o mesmo sorriso simples de antes.
- Oi. Meu nome é Fay.
- Eu sei. Ouvi a chamada.
Fay parecia não se intimidar com o jeito áspero de Yue e continuou.
- E você está gostando? A aula... É bem interessante não?
- De fato, a aula é interessante.
- Acho que nós deveríamos ser amigos, Yue.
- Acho que, se você quer ser meu amigo, você não deveria me impor isso.
- Desculpe-me, eu não quis parecer rude. Até breve.
Yue achou a aproximação de Fay bem suspeita, mas ficou aliviada por ele não ser um chato tagarela. Ele voltou para o lugar onde estava sentado, e só então Yue percebeu um papel em cima de sua mesa.
“Acho que deveríamos ser amigos porque eu conheço o seu segredo”.
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